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Saúde Materno-Infantil e Epidemias: 7 Fatos que Redefinem a Epidemiologia Global


Tabela de Conteúdo

  1. Introdução: Epidemias e Saúde Materno-Infantil
  2. Impactos Diretos e Indiretos das Epidemias na Saúde Materno-Infantil
  3. Queda no Uso de Serviços Essenciais: O Efeito Dominó
  4. Vacinação Infantil e Cobertura Pré-Natal: O Retrocesso Silencioso
  5. Saúde Mental Materna e Vulnerabilidade Social
  6. Desigualdades e Vulnerabilidades: Quem Mais Sofre?
  7. Tendências Globais e Lições para o Futuro
  8. Conclusão: O Futuro da Saúde Materno-Infantil em Tempos de Epidemias
  9. FAQ: Perguntas Frequentes sobre Saúde Materno-Infantil e Epidemias

Introdução: Epidemias e Saúde Materno-Infantil

A saúde materno-infantil é um dos pilares da saúde pública e um termômetro da resiliência dos sistemas de saúde. Em tempos de epidemias, como Ebola e COVID-19, mães e crianças tornam-se ainda mais vulneráveis. Dados recentes mostram que, além dos riscos diretos de infecção, as epidemias provocam efeitos colaterais profundos: interrupção de serviços essenciais, aumento da mortalidade e agravamento das desigualdades sociais (Delamou et al., 2017; Ahmed et al., 2021; Russo et al., 2021; Adu et al., 2021; Kotlar et al., 2020; Senkyire et al., 2023; Ahmed et al., 2022; Kuandyk et al., 2024).


Impactos Diretos e Indiretos das Epidemias na Saúde Materno-Infantil

Epidemias afetam a saúde materno-infantil de forma direta (infecção, complicações obstétricas) e indireta (colapso de serviços, barreiras de acesso, medo). Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, houve aumento de complicações em gestantes sintomáticas e crescimento de problemas socioeconômicos, como perda de renda e sobrecarga de cuidados (Kotlar et al., 2020; Senkyire et al., 2023; Ahmed et al., 2022; Kuandyk et al., 2024).

“A pandemia revelou fraquezas já conhecidas dos sistemas de saúde, como falta de recursos e profissionais, ampliando o impacto negativo sobre mães e crianças.” (Senkyire et al., 2023)

Queda no Uso de Serviços Essenciais: O Efeito Dominó

Estudos em países africanos e asiáticos mostram quedas abruptas em consultas pré-natais, partos institucionais e vacinação infantil durante epidemias. No surto de Ebola na Guiné, o número de partos em instituições caiu em média 240 por mês, e consultas pré-natais reduziram em mais de 400 por mês (Delamou et al., 2017). Na COVID-19, 18 países de baixa e média renda registraram declínio médio de 13% em consultas ambulatoriais e de até 4,6% em serviços materno-infantis, resultando em mais de 110 mil mortes infantis e 3 mil maternas em excesso (Ahmed et al., 2022; Ahmed et al., 2021; Kuandyk et al., 2024).

IndicadorQueda durante epidemiasConsequência epidemiológicaCitações
Partos institucionais-240/mês (Ebola)Aumento de mortalidade materna(Delamou et al., 2017; Quaglio et al., 2019)
Consultas pré-natais-418/mês (Ebola)Diagnóstico tardio de complicações(Delamou et al., 2017; Ahmed et al., 2021; Senkyire et al., 2023)
Vacinação infantil-3594 doses/mês (pólio)Surtos de doenças evitáveis(Delamou et al., 2017; Ahmed et al., 2021; Thsehla et al., 2023)
Serviços ambulatoriais-13% (COVID-19)Mortalidade materna/infantil extra(Ahmed et al., 2022; Kuandyk et al., 2024)

Figure 1: Quedas em serviços materno-infantis durante epidemias e consequências.


Vacinação Infantil e Cobertura Pré-Natal: O Retrocesso Silencioso

A interrupção de campanhas de vacinação e a redução de consultas pré-natais são efeitos colaterais graves, mas muitas vezes invisíveis. Durante o Ebola, a cobertura vacinal de BCG e pentavalente caiu drasticamente, e mesmo após o surto, não retornou aos níveis anteriores (Delamou et al., 2017; Ahmed et al., 2021). Na COVID-19, a queda na vacinação infantil foi generalizada, com destaque para países de baixa renda (Ahmed et al., 2021; Thsehla et al., 2023; Kuandyk et al., 2024).

Além disso, o medo do contágio e as restrições de mobilidade afastaram gestantes dos serviços de saúde, aumentando o risco de complicações não detectadas e partos fora de instituições (Russo et al., 2021; Senkyire et al., 2023; Ahmed et al., 2021; Fonka et al., 2024).



Saúde Mental Materna e Vulnerabilidade Social

O impacto das epidemias vai além do físico. Lockdowns e isolamento social elevaram os índices de depressão, ansiedade e insatisfação de vida entre gestantes e mães, além de aumentar a violência doméstica (Russo et al., 2021; Kotlar et al., 2020; Penna et al., 2023). A sobrecarga de cuidados e a perda de renda agravaram o sofrimento psíquico, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade (Russo et al., 2021; Kotlar et al., 2020; Senkyire et al., 2023; Penna et al., 2023).

“A saúde mental materna foi severamente afetada, com aumento de ansiedade, depressão e violência doméstica.” (Russo et al., 2021; Kotlar et al., 2020; Penna et al., 2023)—

Desigualdades e Vulnerabilidades: Quem Mais Sofre?

As epidemias escancaram desigualdades históricas. Mulheres e crianças em países de baixa renda, áreas rurais e periferias urbanas foram as mais prejudicadas, tanto pelo acesso limitado a serviços quanto pela maior exposição a riscos sociais (Ahmed et al., 2021; Russo et al., 2021; Adu et al., 2021; Senkyire et al., 2023; Thsehla et al., 2023; Ahmed et al., 2022; Huang et al., 2025; Kuandyk et al., 2024). A mortalidade materna aumentou até 61% em alguns países africanos durante a COVID-19 (Calvert et al., 2021).

Além disso, grupos vulneráveis, como adolescentes, minorias étnicas e mulheres com baixa escolaridade, enfrentaram barreiras adicionais, ampliando o ciclo de pobreza e exclusão (Russo et al., 2021; Senkyire et al., 2023; Thsehla et al., 2023; Huang et al., 2025).


Tendências Globais e Lições para o Futuro

Apesar dos retrocessos, a última década trouxe avanços importantes: a mortalidade materna global caiu 60% entre 1990 e 2021, mas as epidemias ameaçam reverter esse progresso, especialmente em regiões de baixo desenvolvimento (Huang et al., 2025). A padronização de indicadores e a integração de respostas emergenciais com políticas de saúde materno-infantil são caminhos apontados por especialistas para fortalecer a resiliência dos sistemas (Pingray et al., 2025; Bonet et al., 2023; Huang et al., 2025).

A literatura destaca a necessidade de:

  • Manter serviços essenciais mesmo durante emergências.
  • Investir em saúde mental materna e apoio social.
  • Desenvolver políticas adaptadas ao contexto local.
  • Monitorar e padronizar indicadores para respostas rápidas e baseadas em evidências.

Conclusão: O Futuro da Saúde Materno-Infantil em Tempos de Epidemias

A saúde materno-infantil é um termômetro da capacidade de resposta dos sistemas de saúde frente a crises. Epidemias expõem fragilidades, mas também oferecem oportunidades para inovação e fortalecimento de políticas públicas. Como garantir que mães e crianças não sejam invisibilizadas nas próximas emergências globais? O desafio está lançado: construir sistemas mais resilientes, equitativos e centrados nas populações mais vulneráveis.


FAQ: Perguntas Frequentes sobre Saúde Materno-Infantil e Epidemias

1. Como as epidemias afetam a saúde materno-infantil?
Epidemias reduzem o acesso a serviços essenciais, aumentam complicações e agravam desigualdades sociais (Delamou et al., 2017; Ahmed et al., 2021; Russo et al., 2021; Senkyire et al., 2023; Ahmed et al., 2022).

2. Quais serviços são mais impactados durante epidemias?
Consultas pré-natais, partos institucionais e vacinação infantil são os mais afetados (Delamou et al., 2017; Ahmed et al., 2021; Senkyire et al., 2023; Thsehla et al., 2023; Ahmed et al., 2022; Kuandyk et al., 2024).

3. A mortalidade materna aumentou durante a COVID-19?
Sim, estudos mostram aumento de até 61% em alguns países africanos (Calvert et al., 2021; Ahmed et al., 2022; Huang et al., 2025).

4. O que acontece com a vacinação infantil em epidemias?
Há quedas acentuadas na cobertura, elevando o risco de surtos de doenças evitáveis (Delamou et al., 2017; Ahmed et al., 2021; Thsehla et al., 2023; Kuandyk et al., 2024).

5. Epidemias afetam a saúde mental materna?
Sim, há aumento de ansiedade, depressão e violência doméstica (Russo et al., 2021; Kotlar et al., 2020; Penna et al., 2023).

6. Quais grupos são mais vulneráveis?
Mulheres e crianças em países de baixa renda, áreas rurais e periferias urbanas (Ahmed et al., 2021; Russo et al., 2021; Adu et al., 2021; Senkyire et al., 2023; Thsehla et al., 2023; Ahmed et al., 2022; Huang et al., 2025; Kuandyk et al., 2024).

7. Como mitigar os impactos negativos?
Manter serviços essenciais, investir em saúde mental e adaptar políticas ao contexto local (Pingray et al., 2025; Senkyire et al., 2023; Bonet et al., 2023; Huang et al., 2025).

8. Houve avanços na saúde materno-infantil nas últimas décadas?
Sim, a mortalidade materna global caiu 60% entre 1990 e 2021, mas epidemias ameaçam esse progresso (Huang et al., 2025).

9. O que é necessário para fortalecer a resposta em futuras epidemias?
Padronizar indicadores, integrar respostas emergenciais e priorizar populações vulneráveis (Pingray et al., 2025; Bonet et al., 2023; Huang et al., 2025).

10. Onde encontrar dados confiáveis sobre saúde materno-infantil e epidemias?
Fontes como OMS, Unicef, The Lancet, BMC Pregnancy and Childbirth e periódicos especializados em epidemiologia.


Referências recomendadas para leitura adicional:


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References

Delamou, A., Ayadi, A., Sidibé, S., Delvaux, T., Camara, B., Sandouno, S., Béavogui, A., Rutherford, G., Okumura, J., Zhang, W., & De Brouwere, V. (2017). Effect of Ebola virus disease on maternal and child health services in Guinea: a retrospective observational cohort study. The Lancet. Global health, 5, e448 – e457. https://doi.org/10.1016/s2214-109x(17)30078-5

Ahmed, T., Drouard, S., Fernandez, P., Kandpal, E., Nzelu, C., Wesseh, C., Mohamud, N., Smart, F., Mwansambo, C., Baye, M., Diabate, M., Yuma, S., Ogunlayi, M., De Dieu Rusatira, R., Hashemi, T., Vergeer, P., & Friedman, J. (2021). Disruptions in maternal and child health service utilization during COVID-19: analysis from eight sub-Saharan African countries. Health Policy and Planning. https://doi.org/10.1093/heapol/czab064

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Pingray, V., Klein, K., Alonso, J., Belizán, M., Babinska, M., Alger, J., Barsosio, H., Blackburn, K., Bolaji, O., Carson, C., Castiglioni, S., De Luca, D., Dhaded, S., Engmann, C., Vidarte, M., Escuriet, R., Kara, E., Kim, C., Knight, M., Lamprianou, S., Lota, M., Mader, S., Madrid, L., Marcone, A., Mazzoni, A., Montenegro, R., Mukisa-Bisoborwa, R., Munoz, F., Okomo, U., Okong, P., Ortega, V., Salva, F., Schwartz, D., Sudjaritruk, T., Yates, L., Younus, M., Zafar, N., Oladapo, O., Berrueta, M., & Bonet, M. (2025). A core outcome set for maternal and neonatal health research and surveillance of emerging and ongoing epidemic threats (MNH-EPI-COS): a modified Delphi-based international consensus. eClinicalMedicine, 80. https://doi.org/10.1016/j.eclinm.2024.103025

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Kotlar, B., Gerson, E., Petrillo, S., Langer, A., & Tiemeier, H. (2020). The impact of the COVID-19 pandemic on maternal and perinatal health: a scoping review. Reproductive Health, 18. https://doi.org/10.1186/s12978-021-01070-6

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Bonet, M., Babinska, M., Buekens, P., Goudar, S., Kampmann, B., Knight, M., Meaney-Delman, D., Lamprianou, S., Rivas, F., Stergachis, A., Toscano, C., Bhatia, J., Chamberlain, S., Chaudhry, U., Mills, J., Serazin, E., Short, H., Steene, A., Wahlen, M., & Oladapo, O. (2023). Maternal and perinatal health research during emerging and ongoing epidemic threats: a landscape analysis and expert consultation. BMJ Global Health, 9. https://doi.org/10.1136/bmjgh-2023-014393

Ahmed, T., Rahman, A., Amole, T., Galadanci, H., Matjila, M., Soma-Pillay, P., Gillespie, B., Arifeen, E., & Anumba, D. (2021). The effect of COVID-19 on maternal newborn and child health (MNCH) services in Bangladesh, Nigeria and South Africa: call for a contextualised pandemic response in LMICs. International Journal for Equity in Health, 20. https://doi.org/10.1186/s12939-021-01414-5

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Thsehla, E., Balusik, A., Boachie, M., Tombe-Mdewa, W., Kabudula, C., Du Toit, J., Kahn, K., Gómez-Olivé, F., Tollman, S., Goldstein, S., & Hofman, K. (2023). Indirect effects of COVID-19 on maternal and child health in South Africa. Global Health Action, 16. https://doi.org/10.1080/16549716.2022.2153442

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Penna, A., De Aquino, C., Pinheiro, M., Nascimento, R., Farías-Antúnez, S., Araújo, D., Mita, C., Machado, M., & Castro, M. (2023). Impact of the COVID-19 pandemic on maternal mental health, early childhood development, and parental practices: a global scoping review. BMC Public Health, 23. https://doi.org/10.1186/s12889-023-15003-4

Ahmed, T., Roberton, T., Vergeer, P., Hansen, P., Peters, M., Ofosu, A., Mwansambo, C., Nzelu, C., Wesseh, C., Smart, F., Alfred, J., Diabaté, M., Baye, M., Yansané, M., Wendrad, N., Mohamud, N., Mbaka, P., Yuma, S., Ndiaye, Y., Sadat, H., Uddin, H., Kiarie, H., Tsihory, R., Mwinnyaa, G., De Dieu Rusatira, J., Fernandez, P., Muhoza, P., Baral, P., Drouard, S., Hashemi, T., & Friedman, J. (2022). Healthcare utilization and maternal and child mortality during the COVID-19 pandemic in 18 low- and middle-income countries: An interrupted time-series analysis with mathematical modeling of administrative data. PLoS Medicine, 19. https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1004070

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Kuandyk, A., Ortega, M., Ntegwa, M., & Sarría-Santamera, A. (2024). Impact of the COVID-19 pandemic on access to and delivery of maternal and child healthcare services in low-and middle-income countries: a systematic review of the literature. Frontiers in Public Health, 12. https://doi.org/10.3389/fpubh.2024.1346268

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