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Revisões Sistemáticas e Metanálise – Da Teoria à Prática Baseada em Evidências

1. Introdução: A Síntese de Evidências na Era da Informação em Saúde

A prática da saúde moderna, seja na epidemiologia clínica, na gestão hospitalar ou na saúde pública, enfrenta um desafio sem precedentes: a explosão da informação científica.1 Anualmente, milhares de artigos de pesquisa primária são publicados, tornando humanamente impossível para qualquer profissional manter-se atualizado apenas através da leitura de estudos individuais. Neste contexto, as revisões de literatura emergem como uma ferramenta essencial para agrupar e sintetizar o conhecimento disponível.1

Contudo, nem todas as sínteses são criadas iguais. A Prática Baseada em Evidências (PBE) exige o uso criterioso, explícito e judicioso do melhor conhecimento científico disponível para a tomada de decisão clínica.2 No topo da hierarquia das evidências, fornecendo o mais alto nível de prova para informar decisões sobre intervenções, diagnósticos e políticas, encontram-se as Revisões Sistemáticas (RS) e as Metanálises (MA).2

A ascensão da PBE está intrinsecamente ligada à fundação da Colaboração Cochrane 4, uma rede global independente de pesquisadores, profissionais e pacientes. A Cochrane estabeleceu-se como a “maior organização internacional deste tipo”, dedicada a preparar, manter e disseminar revisões sistemáticas atualizadas, que são hoje consideradas o padrão-ouro metodológico no campo.5

Este post foi desenhado como um guia didático com objetivo de desmistificar o processo da revisão sistemática e da metanálise, fornecendo uma base rigorosa sobre o que são, por que são fundamentais para a epidemiologia clínica e como são conduzidas, desde a formulação da pergunta de pesquisa até a interpretação dos resultados estatísticos.


2. Conceitos Fundamentais da Revisão Sistemática (RS)

Uma Revisão Sistemática (RS) não é simplesmente uma “revisão de artigos” ou um “resumo da literatura”. É, em si, um tipo de investigação científica — um estudo secundário — que utiliza uma metodologia padronizada, explícita e reprodutível para identificar, avaliar criticamente e interpretar todas as pesquisas relevantes disponíveis sobre uma questão particular de pesquisa.7

O Centre for Reviews and Dissemination (CRD) da Universidade de York, outra autoridade global na área, define seu trabalho como “síntese de evidências”. Este processo envolve “montar e avaliar dados de múltiplos estudos de pesquisa para gerar evidências robustas para informar a política e a prática de saúde”.9

O objetivo metodológico central de uma RS é minimizar vieses.8 Ao utilizar métodos sistemáticos e transparentes, a RS tenta reduzir os vieses que tão frequentemente afetam as revisões narrativas tradicionais, onde os autores podem, consciente ou inconscientemente, selecionar estudos que corroborem suas visões pré-concebidas.

Embora o método tenha se popularizado na avaliação de intervenções terapêuticas (tipicamente, Ensaios Clínicos Randomizados – ECRs), sua aplicação em epidemiologia é vasta e inclui:

  1. Revisões de Acurácia de Testes Diagnósticos: Avaliam o desempenho (ex: sensibilidade, especificidade) de um teste índice em comparação com um padrão-ouro (teste de referência).7
  2. Revisões de Prognóstico ou Fatores Causais: Sintetizam estudos observacionais (coortes, caso-controle) para avaliar a associação entre uma exposição e um desfecho.8

É necessário, desde o início, diferenciar a Revisão Sistemática da Metanálise (MA). A RS refere-se a todo o processo metodológico: formulação da pergunta, busca, seleção, avaliação da qualidade e síntese dos estudos.7 A Metanálise é uma ferramenta estatística opcional, “o cálculo e apresentação do sumário dos efeitos”.5 Nem toda revisão sistemática pode, ou deve, incluir uma metanálise. Se os estudos encontrados forem muito diferentes (heterogêneos) em suas populações, intervenções ou métodos, combiná-los estatisticamente seria inadequado e enganoso.11


3. O Salto Metodológico: Revisão Narrativa vs. Sistemática

A distinção entre uma revisão narrativa (ou tradicional) e uma revisão sistemática é fundamental para a epidemiologia, pois representa um salto de uma abordagem baseada em opinião e erudição para uma abordagem baseada em ciência e reprodutibilidade.

A Revisão Narrativa (Tradicional)

As revisões narrativas são o formato clássico de atualização de literatura. No entanto, para responder a perguntas clínicas focadas, elas são consideradas “pouco adequadas”.8

  • Limitações: A principal limitação é a subjetividade. O autor, geralmente um especialista na área, seleciona os artigos que julga mais relevantes, sem um critério de busca explícito ou reprodutível. Não há uma avaliação formal da qualidade metodológica (risco de viés) dos artigos incluídos, e a síntese é frequentemente uma interpretação qualitativa do autor.
  • Usos Apropriados: As revisões narrativas são valiosas para “descrever a história” de um problema, “discutir dados a partir de uma teoria” ou “integrar conceitualmente dois campos de pesquisa”.8 Elas são excelentes para construir contexto e discutir avanços teóricos.
  • Usos Inapropriados: Elas não são apropriadas para avaliar a eficácia de intervenções clínicas, o desempenho de testes diagnósticos ou a magnitude de fatores causais.8 Quando usadas para esses fins, podem levar a conclusões enviesadas e potencialmente prejudiciais à prática.

A Revisão Sistemática

A revisão sistemática, por outro lado, é um protocolo de pesquisa científica aplicado a estudos publicados (e não publicados).

  • Características: Utiliza métodos pré-definidos, explícitos e transparentes. Inclui uma busca exaustiva e sistemática da literatura, critérios de seleção de estudos explícitos e reprodutíveis, uma avaliação crítica da qualidade metodológica (risco de viés) dos estudos incluídos, e uma síntese ponderada desses resultados (que pode ser narrativa ou quantitativa/metanálise).8

A escolha do método não é sobre qual é “melhor” em absoluto, mas qual é apropriado para a pergunta. A revisão narrativa é um ato de erudição e interpretação teórica; a revisão sistemática é um ato de ciência e estimativa, cujo objetivo é produzir o resumo menos enviesado possível da evidência. O conflito na literatura surge quando a erudição (narrativa) é apresentada com o peso da ciência (sistemática) para responder perguntas de eficácia clínica.

Tabela 1: Quadro Comparativo: Revisão Narrativa vs. Revisão Sistemática 8

CaracterísticaRevisão Narrativa (Tradicional)Revisão Sistemática
Pergunta de PesquisaAmpla, muitas vezes não definida explicitamente.Focada e bem definida (ex: formato PICO).
Busca de LiteraturaNão sistemática, não explícita, não reprodutível. A critério do autor.Sistemática, exaustiva (múltiplas bases, lit. cinzenta), explícita e reprodutível.
Seleção dos EstudosSubjetiva e raramente descrita. Viés de seleção.Baseada em critérios de elegibilidade explícitos (PICO), aplicada por pares independentes.
Avaliação da QualidadeAusente ou informal.Etapa obrigatória. Avaliação crítica do risco de viés dos estudos incluídos (ex: RoB 2, QUADAS-2).
Síntese dos ResultadosQualitativa e subjetiva.Síntese ponderada pela qualidade. Pode ser narrativa ou quantitativa (Metanálise), se apropriado.
ObjetivoContextualizar, descrever, discutir teoria.Minimizar viés, responder a uma pergunta específica, sumarizar a melhor evidência.

4. As Etapas da Revisão Sistemática: Um Guia Processual

Uma revisão sistemática bem conduzida segue um processo rigoroso e sequencial, que é definido antes do início do estudo. Este processo geralmente segue oito etapas principais.4

4.1. Formulação da Pergunta de Pesquisa (A Estratégia PICO)

O sucesso de toda a revisão depende de uma pergunta de pesquisa clara, focada e bem definida.4 A ferramenta mais comum para estruturar perguntas analíticas (que investigam a relação entre eventos) é o acrônimo PICO 4:

  • P (População): Quem são os pacientes? (ex: adultos com hipertensão leve, crianças com otite média).
  • I (Intervenção ou Exposição): Qual é a intervenção, fator prognóstico ou teste sendo avaliado? (ex: uso de diuréticos; exposição ao tabagismo).
  • C (Comparação): Qual é o grupo controle ou comparador? (ex: placebo, outro fármaco; não expostos).
  • O (Outcome/Desfecho): Qual é o resultado clínico ou evento de interesse? (ex: redução da pressão arterial, incidência de câncer de pulmão, mortalidade).

Este acrônimo pode ser adaptado dependendo do tipo de pergunta 4:

  • PICOS: Adiciona o S (Study design/Tipo de Estudo), especificando os desenhos de estudo aceitáveis (ex: “apenas Ensaios Clínicos Randomizados”).4
  • PICO-D (Acurácia Diagnóstica): (P) População suspeita, (I) Teste Índice (o teste sendo avaliado), (C) Teste de Referência (o padrão-ouro), (O) Desfechos de acurácia (sensibilidade, especificidade).7
  • PICo (Estudos Qualitativos): (P) População, (I) Fenômeno de Interesse, (Co) Contexto.

4.2. Elaboração e Registro do Protocolo

Uma RS, assim como qualquer estudo clínico primário, deve ter seu protocolo elaborado a priori.7 Este documento registra de forma clara e transparente todo o processo planejado, incluindo a pergunta PICO, os critérios de elegibilidade, as bases de dados a serem pesquisadas e os métodos de análise estatística.7

O registro do protocolo é uma etapa ético-metodológica essencial. A principal plataforma para isso é o PROSPERO, um registro internacional de protocolos de revisão sistemática mantido pelo CRD na Universidade de York.12

  • Objetivos do Registro: O registro público no PROSPERO serve a três propósitos vitais: 1) Promover a transparência; 2) Ajudar a prevenir a duplicação não intencional de revisões, evitando o desperdício de recursos de pesquisa; e 3) Prevenir o “viés de relato” (reporting bias).12
  • Processo: Os autores submetem seu protocolo detalhado. A plataforma analisa se ele se encaixa no escopo (revisões com desfechos em saúde) e, se aprovado, concede um número de registro.13
  • Transparência: Se os métodos precisarem ser alterados durante a revisão (o que pode acontecer legitimamente), essas alterações devem ser documentadas, e o PROSPERO mantém um “audit trail” (trilha de auditoria) datado de todas as emendas, que permanece público.14

O protocolo registrado funciona como um “contrato” metodológico. Ele impede que os pesquisadores, após verem os dados, mudem seus desfechos primários para desfechos secundários que apresentaram resultados mais “interessantes” (uma forma de p-hacking). Uma RS publicada sem um número de protocolo registrado deve ser interpretada com ceticismo.

4.3. Estratégia de Busca (Busca Sistemática)

A busca pela literatura deve ser “exaustiva e sistemática”, desenhada para encontrar todos os estudos potencialmente relevantes.8 O objetivo é minimizar o viés de seleção. A estratégia deve incluir múltiplas fontes:

  1. Bases de Dados Eletrônicas: Fontes principais como PubMed/MEDLINE, EMBASE, SciELO e a Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL).15
  2. Literatura Cinzenta (Grey Literature): Refere-se a pesquisas não publicadas em periódicos comerciais. É vital para combater o viés de publicação. Inclui:
    • Registros de ensaios clínicos (ex: ClinicalTrials.gov, REBEC – Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos).8
    • Bancos de teses e dissertações (ex: Banco de Teses da CAPES, DART-Europe E-theses Portal).8
    • Resumos (abstracts) de conferências e congressos.15
  3. Outras Fontes: Busca manual nas listas de referências dos artigos incluídos (conhecido como handsearching ou snowballing) 15 e contato com especialistas na área.

A estratégia de busca completa (as queries ou termos de busca exatos usados em cada base) deve ser disponibilizada, geralmente como material suplementar, para garantir a reprodutibilidade do estudo.15

4.4. Seleção dos Estudos (Triagem)

Após a busca, os pesquisadores terão uma lista de milhares de referências. O processo de seleção (triagem) é feito para identificar quais desses de fato cumprem os critérios de elegibilidade do PICO.

Para reduzir erros e subjetividade, esta etapa deve ser realizada por, no mínimo, dois revisores independentes.8

  • Fase 1 (Triagem por Título e Resumo): Os dois revisores leem independentemente os títulos e resumos. Artigos claramente irrelevantes são descartados.
  • Fase 2 (Leitura do Texto Completo): Os artigos que pareceram relevantes na Fase 1 são lidos na íntegra. Os revisores aplicam os critérios de elegibilidade PICO (definidos no protocolo).
  • Consenso: Discordâncias entre os revisores (ex: um quer incluir, o outro quer excluir) são resolvidas por discussão. Se o consenso não for alcançado, um terceiro revisor (geralmente um pesquisador sênior) toma a decisão final.8

O guideline de relato padrão para RS e MA é o PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses).17 O Fluxograma PRISMA 2020 é uma figura obrigatória em qualquer RS publicada.20 Ele documenta o fluxo da informação: quantos artigos foram identificados na busca, quantos foram triados, quantos foram lidos na íntegra (avaliados para elegibilidade), e quantos foram finalmente incluídos na síntese, detalhando os motivos das exclusões na Fase 2.20

4.5. Extração de Dados

Assim como a seleção, a extração de dados dos estudos incluídos deve ser feita por dois revisores independentes para evitar erros.4 Os revisores utilizam um formulário de extração padronizado (definido no protocolo) para coletar informações sobre:

  • Características do estudo (autor, ano, país).
  • Características da População (P).
  • Detalhes da Intervenção (I) e Comparação (C).
  • Dados numéricos dos Desfechos (O) (ex: número de eventos, média e desvio padrão).

4.6. Avaliação da Qualidade Metodológica e Risco de Viés

Esta é uma das etapas mais críticas de uma RS.8 Não basta encontrar os estudos; é preciso avaliar sua validade interna, ou seja, o “risco de viés” (Risk of Bias – RoB). Um estudo com alto risco de viés (ex: má randomização, falta de cegamento) pode superestimar ou subestimar o efeito verdadeiro.

A ferramenta de avaliação deve ser apropriada para o delineamento dos estudos primários incluídos. Usar a ferramenta errada é um erro metodológico grave.

  • Para Ensaios Clínicos Randomizados (ECR): Cochrane Risk of Bias tool (RoB 2.0).

Esta é a ferramenta recomendada pela Colaboração Cochrane.22 A versão 2.0 é uma melhoria da ferramenta original e avalia o risco de viés em cinco domínios fixos: 1) Viés no processo de randomização; 2) Viés devido a desvios da intervenção; 3) Viés devido a dados faltantes; 4) Viés na mensuração do desfecho; 5) Viés no relato seletivo.22

  • Para Estudos Observacionais (Coorte, Caso-Controle): Escala Newcastle-Ottawa (NOS).

Esta escala é amplamente utilizada para avaliar a qualidade de estudos observacionais. Ela pontua os estudos (até 9 estrelas) em três domínios: 1) Seleção dos grupos (ex: representatividade da coorte); 2) Comparabilidade dos grupos (controle de fatores de confusão); 3) Aferição do desfecho (para coortes) ou da exposição (para caso-controle).24 Embora fácil de aplicar, a NOS é por vezes criticada por sua validade.24

  • Para Estudos de Acurácia Diagnóstica: QUADAS-2.

Esta é a ferramenta revisada e recomendada para avaliar a qualidade de estudos de acurácia diagnóstica.26 Ela avalia o risco de viés e a aplicabilidade em quatro domínios-chave: 1) Seleção de pacientes (ex: foi evitado um desenho caso-controle?); 2) Teste Índice (o teste sendo avaliado); 3) Padrão-Ouro (o teste de referência); 4) Fluxo e Timing (o fluxo de pacientes no estudo).10

Tabela 2: Ferramentas de Avaliação de Risco de Viés por Delineamento de Estudo

Delineamento do Estudo PrimárioFerramenta RecomendadaFoco Principal da Avaliação
Ensaio Clínico RandomizadoCochrane RoB 2.0Validade da randomização, cegamento, perdas, relato seletivo.
Estudo Observacional (Coorte/Caso-Controle)Newcastle-Ottawa Scale (NOS)Seleção dos grupos, comparabilidade (confundidores), aferição de desfecho/exposição.
Estudo de Acurácia DiagnósticaQUADAS-2Seleção de pacientes, validade do teste índice e do padrão-ouro, fluxo de pacientes.

4.7. Síntese dos Resultados e Avaliação da Certeza da Evidência

Após a extração e avaliação da qualidade, os resultados são sintetizados.

  • Síntese Narrativa: Se os estudos forem muito diferentes em PICO ou tiverem alta heterogeneidade metodológica, seus resultados não devem ser combinados estatisticamente.11 Eles são descritos e sintetizados narrativamente, frequentemente agrupados por desfecho.
  • Síntese Quantitativa (Metanálise): Se os estudos forem suficientemente homogêneos, a metanálise é realizada (detalhada na Seção 5).

Após a síntese (seja ela narrativa ou quantitativa), o trabalho da RS não termina. A etapa final é avaliar a certeza (ou qualidade) da evidência gerada pela revisão para um determinado desfecho. A metodologia padrão-ouro para isso é o sistema GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation).2

  • Definição: O GRADE é um sistema transparente para classificar a certeza da evidência em quatro níveis: Alta, Moderada, Baixa ou Muito Baixa.27
  • Processo: O sistema começa com um nível de certeza basal baseado no desenho do estudo (ECRs começam como “Alta”; estudos observacionais começam como “Baixa”).
  • Rebaixamento da Certeza: A certeza da evidência é então rebaixada se um ou mais dos cinco fatores a seguir estiverem presentes:
    1. Risco de Viés: A maioria dos estudos incluídos tem alto risco de viés (avaliado na etapa 4.6).
    2. Inconsistência: Alta heterogeneidade estatística inexplicada (ver Seção 5.3).
    3. Evidência Indireta: O PICO dos estudos não corresponde exatamente ao PICO da revisão (ex: a revisão quer avaliar idosos, mas os estudos incluíram apenas adultos jovens).
    4. Imprecisão: Os intervalos de confiança da estimativa combinada são muito largos.2
    5. Viés de Publicação: Suspeita de viés de publicação (ver Seção 5.4).
  • Elevação da Certeza: Em casos raros, a evidência de estudos observacionais pode ser elevada (de “Baixa” para “Moderada”) se o efeito for muito grande, se houver um gradiente dose-resposta ou se todos os confundidores plausíveis reduzissem o efeito.

O GRADE é a ferramenta final que traduz os achados técnicos da RS em uma linguagem clara para o tomador de decisão (clínico ou gestor).28 Uma RS de ECRs de baixa qualidade pode gerar evidência de certeza “Baixa”, enquanto uma RS de estudos observacionais muito robustos pode gerar evidência “Moderada”.


5. Metanálise: A Síntese Estatística da Evidência

5.1. Definição e Objetivos

Conforme definido anteriormente, a Metanálise (MA) não é a revisão em si, mas “o cálculo e apresentação do sumário dos efeitos do tratamento nos estudos”.7 É o método estatístico usado dentro de uma RS para combinar numericamente os resultados de estudos independentes, mas semelhantes.5

O objetivo principal da MA é obter uma estimativa resumo (ou combinada) do efeito. Esta estimativa combinada é, teoricamente, mais precisa (ou seja, tem um intervalo de confiança menor) do que a estimativa de efeito de qualquer estudo individual, pois aumenta o poder estatístico ao aumentar o tamanho amostral total.

A pré-condição fundamental para realizar uma MA é a homogeneidade. Os estudos devem ser suficientemente semelhantes em termos clínicos (população, intervenção) e metodológicos (desenho, risco de viés) para que a ideia de um “efeito combinado” faça sentido.11

5.2. Métodos Estatísticos: Efeito Fixo vs. Efeitos Aleatórios

Para combinar os estudos, seus resultados devem ser extraídos em uma métrica de efeito comum, tais como Risco Relativo (RR), Razão de Chances (OR) ou Redução Absoluta do Risco (RD) para dados dicotômicos (ex: morte sim/não); ou Diferença de Médias (MD) ou Diferença de Médias Padronizada (SMD) para dados contínuos (ex: pressão arterial).29

O Forest Plot (Gráfico de Floresta)

A apresentação visual padrão de uma metanálise é o Forest Plot.29 Sua leitura é essencial:

  • Linhas (Estudos Individuais): Cada linha representa um estudo incluído.
  • Quadrado (Estimativa de Efeito): O ponto central do quadrado representa a estimativa de efeito daquele estudo (ex: um RR de 0.8).
  • Tamanho do Quadrado (Peso): O tamanho do quadrado é proporcional ao “peso” do estudo na metanálise. Estudos maiores (com amostras maiores) ou mais precisos (com menor variância) têm maior peso e influenciam mais o resultado final.
  • Linha Horizontal (Intervalo de Confiança): A linha que atravessa o quadrado representa o Intervalo de Confiança (IC) de 95% daquele estudo.
  • O Diamante (Resultado Combinado): Na parte inferior do gráfico, o diamante representa a estimativa resumo da metanálise. O centro vertical do diamante é a estimativa de efeito combinado. A largura horizontal do diamante representa o IC 95% dessa estimativa combinada.

Modelos de Análise: Fixo vs. Aleatório

Existem dois modelos estatísticos principais para calcular o diamante:

  1. Modelo de Efeito Fixo: Este modelo pressupõe que todos os estudos incluídos estão estimando o mesmo e único efeito verdadeiro subjacente. Ele assume que qualquer variação observada entre os resultados dos estudos é devida puramente ao acaso (erro amostral).
  2. Modelo de Efeitos Aleatórios: Este modelo é conceitualmente diferente. Ele pressupõe que os estudos estão estimando efeitos verdadeiros diferentes, que seguem uma distribuição em torno de uma média. Ele assume que a variação observada é devida a dois fatores: o acaso (erro amostral, como no modelo fixo) e a heterogeneidade real entre os estudos (diferenças nas populações, doses, gravidade da doença, etc.).8

A escolha entre os modelos é conceitual. Se houver evidência de heterogeneidade clínica (ex: os estudos usaram doses diferentes da medicação) 8, assumir um “único efeito verdadeiro” (Modelo Fixo) é logisticamente falho. O Modelo de Efeitos Aleatórios é considerado mais conservador (ou “honesto”) na presença de heterogeneidade, pois ele incorpora essa variabilidade “real” na análise, resultando em um intervalo de confiança mais largo (refletindo maior incerteza) para o efeito combinado.

5.3. Avaliando a Heterogeneidade

Heterogeneidade refere-se à diversidade ou variabilidade entre os estudos incluídos na revisão.30 É um conceito central na metanálise.

  • Tipos de Heterogeneidade8:
    • Heterogeneidade Clínica: Diferenças nas características dos participantes (P), intervenções (I) ou desfechos (O). (Ex: estudos com pacientes mais graves vs. mais leves).
    • Heterogeneidade Metodológica: Diferenças no desenho dos estudos (ex: ECRs vs. estudos observacionais) ou no risco de viés.
    • Heterogeneidade Estatística: É a consequência das duas primeiras. Refere-se à variação observada nos efeitos dos estudos que é maior do que aquela esperada apenas pelo acaso.8
  • Detectando a Heterogeneidade Estatística:
  • Inspeção Visual do Forest Plot: Se os quadrados (estimativas) e seus intervalos de confiança (linhas) estiverem muito dispersos e com pouca ou nenhuma sobreposição, isso sugere alta heterogeneidade.
  • Teste Q de Cochran: É um teste de hipótese estatística. A hipótese nula é que os estudos são homogêneos (qualquer variação é devida ao acaso).31 Um p-valor baixo (tipicamente p < 0.10 é usado como limiar) sugere a presença de heterogeneidade. A limitação do teste Q é que ele “apenas informa sobre a presença versus a ausência”, mas não sobre a extensão da heterogeneidade.31 Além disso, ele tem baixo poder estatístico (tende a dar p > 0.10) quando o número de estudos na metanálise é pequeno.32
  • Estatística I²: Desenvolvida por Higgins e Thompson, a estatística I2 é a medida mais utilizada hoje para quantificar a heterogeneidade.31
    • Definição: O I2 descreve a porcentagem da variação total observada entre os estudos que é devida à heterogeneidade “real” (estatística) e não ao acaso.33
    • Interpretação: Varia de 0% a 100%. Um I2 de 0% significa que toda a variação é devida ao acaso (homogeneidade). Um I2 de 75% significa que 75% da variação observada é devida a diferenças reais entre os estudos.
    • Vantagem: É intuitivo e, ao contrário do teste Q, não depende do número de estudos incluídos.33

A heterogeneidade não deve ser vista como um “problema” ou “fracasso” da metanálise. Pelo contrário, explorar a heterogeneidade é uma etapa “essencial” da revisão.30 Um I2 alto é um resultado de pesquisa importante: ele nos diz que o efeito da intervenção não é o mesmo em todos os contextos. A tarefa do revisor, então, é tentar explicar essa heterogeneidade 30, geralmente através de:

  • Análise de Subgrupos: Comparar o efeito combinado entre subgrupos de estudos (ex: estudos com pacientes de alta gravidade vs. baixa gravidade).8
  • Metarregressão: Um método estatístico mais avançado, similar a uma regressão linear, onde o desfecho (variável Y) é o efeito do estudo e as variáveis independentes (X) são características dos estudos (ex: dose da droga, ano de publicação, risco de viés).34

Tabela 3: Interpretação da Heterogeneidade Estatística 31

EstatísticaO que MedeInterpretação Prática
Teste Q de CochranPresença vs. Ausência (teste de hipótese).p < 0.10 sugere que a heterogeneidade está presente. (Baixo poder se o número de estudos k for pequeno).
Estatística I²Extensão/Magnitude (porcentagem).Mede quanta variação é devida à heterogeneidade. Valores de referência (Higgins 2003) 33: 0%-25% (Baixa); 25%-75% (Moderada); >75% (Alta).

5.4. Viés de Publicação

O viés de publicação, também conhecido como “viés de pequenos estudos” ou “o problema da gaveta” (file-drawer problem), é uma das ameaças mais sérias à validade de uma metanálise.35

  • Definição: É a tendência de estudos com resultados estatisticamente significativos (“positivos”) terem maior probabilidade de serem: 1) publicados; 2) publicados rapidamente; 3) publicados em periódicos de língua inglesa; e 4) citados por outros autores.35
  • A Ameaça: Isso significa que uma revisão sistemática que se baseia apenas em estudos publicados (o que a busca na literatura cinzenta tenta evitar) pode estar, inadvertidamente, selecionando apenas os estudos “positivos”. Os estudos “negativos” (que não mostraram efeito) permanecem em gavetas de arquivos e não são incluídos. O resultado é uma metanálise que superestima o efeito real da intervenção.35

Detecção Visual: Gráfico de Funil (Funnel Plot)

A ferramenta visual padrão para investigar o viés de publicação é o Funnel Plot.35

  • Conceito: É um gráfico de dispersão que plota a precisão do estudo (geralmente o inverso do erro padrão) no eixo Y contra a estimativa de efeito do estudo (ex: OR, RR) no eixo X.35
  • Interpretação (Ausência de Viés): Na ausência de viés, e assumindo que a única fonte de variação é o acaso, os estudos devem se distribuir simetricamente em torno do efeito combinado, formando um “funil invertido”. Os estudos pequenos (baixa precisão, na base do gráfico) estarão mais dispersos, enquanto os estudos grandes (alta precisão, no topo do gráfico) estarão firmemente agrupados perto do efeito médio.35
  • Interpretação (Presença de Viés): O gráfico parecerá assimétrico.36 Tipicamente, haverá uma “lacuna” em um dos cantos inferiores do gráfico, correspondendo aos pequenos estudos “negativos” (sem efeito significativo) que não foram publicados.

Detecção Estatística: Teste de Egger

Para avaliar formalmente a assimetria do funnel plot, testes estatísticos podem ser usados. O mais comum é o Teste de Egger.36

  • Definição: É um teste baseado em regressão linear que avalia a assimetria do gráfico.36
  • Interpretação: Um p-valor < 0.05 sugere a presença de assimetria estatisticamente significativa, o que levanta a suspeita de viés de pequenos estudos.

É válido notar que assimetria não é sinônimo de viés de publicação. A assimetria pode ser causada por outros fatores, sendo, portanto, mais corretamente chamada de “viés de pequenos estudos”. Outras causas incluem:

  1. Baixa Qualidade Metodológica: Pequenos estudos são, em média, mais propensos a ter qualidade metodológica inferior (ex: má ocultação de alocação), o que pode inflar artificialmente seus efeitos.35
  2. Heterogeneidade Verdadeira: Em algumas situações, o efeito da intervenção pode ser realmente maior em grupos de maior risco, que são frequentemente incluídos em estudos menores. Para desfechos contínuos, a assimetria pode ocorrer se o efeito estiver correlacionado com o risco basal, mesmo na ausência de viés de publicação.38

Portanto, se for detectada assimetria, os revisores devem investigar se os pequenos estudos “faltantes” são também os estudos de maior qualidade.


6. Ferramentas e Softwares Utilizados

A condução de uma RS e MA moderna é facilitada por um conjunto de ferramentas de software especializadas em diferentes etapas do processo:

  • Gerenciamento de Referências: Softwares como Zotero, Mendeley ou EndNote são essenciais na Fase 1 (Busca) para armazenar, organizar e remover duplicatas dos milhares de artigos identificados.
  • Triagem (Seleção) de Artigos: Plataformas online foram desenvolvidas especificamente para a Fase 4.4 (Seleção). A mais popular é o Rayyan AI.39 Ele permite que dois revisores trabalhem de forma independente e cega na mesma plataforma, marcando artigos para inclusão ou exclusão. O Rayyan utiliza IA para “aprender” com as decisões dos revisores e priorizar os artigos mais relevantes, acelerando o processo.39
  • Análise Estatística (Metanálise):
    • RevMan (Review Manager): É o software oficial desenvolvido pela Colaboração Cochrane.40 É altamente intuitivo e desenhado especificamente para criar as tabelas de “Características dos Estudos”, inserir os dados de desfecho e gerar os forest plots e funnel plots.40
    • Softwares Estatísticos Avançados: Para análises mais complexas, como metarregressão, análises de sensibilidade ou metanálise em rede, os pesquisadores utilizam softwares estatísticos de linha de comando, como o Stata 29 ou a linguagem R (com pacotes dedicados como ‘meta‘ e ‘metafor‘).8
  • Avaliação da Certeza da Evidência (GRADE): O GRADEpro é o software (disponível online) desenvolvido pelo GRADE Working Group.27 Ele guia os revisores de forma estruturada através dos cinco domínios de rebaixamento (risco de viés, inconsistência, etc.) e ajuda a criar as “Tabelas de Resumo dos Achados” (Summary of Findings tables).27

7. Como a IA pode auxiliar na elaboração de revisões sistemáticas e metanálises

O processo de revisão sistemática é classicamente demorado, caro e trabalhoso, podendo levar de um a dois anos para ser concluído. A Inteligência Artificial (IA), especificamente o Machine Learning (Aprendizado de Máquina) e o Processamento de Linguagem Natural (PLN), está emergindo como uma ferramenta poderosa para acelerar essas etapas logísticas.41

As aplicações da IA na síntese de evidências incluem:

  • Otimização da Busca: A IA pode ajudar a refinar estratégias de busca, sugerindo termos e identificando artigos relevantes que buscas por palavras-chave tradicionais poderiam perder.
  • Priorização na Triagem: Esta é a aplicação mais madura. Ferramentas como o Rayyan 39 usam IA para analisar as primeiras decisões de inclusão/exclusão do revisor. A IA então “aprende” os padrões dos artigos relevantes e reordena os milhares de artigos restantes, mostrando os mais prováveis de serem incluídos primeiro. Isso pode reduzir drasticamente o tempo de triagem.
  • Extração Semiautomatizada de Dados: Novas ferramentas estão sendo desenvolvidas para usar PLN para “ler” os artigos em PDF e identificar e extrair automaticamente os dados do PICO (ex: tamanho da amostra, média de idade, resultados do desfecho), apresentando-os ao revisor para verificação.41

Contudo, é essencial usar a IA com cautela.44 A IA é uma ferramenta para acelerar a logística, mas não para substituir o julgamento crítico do pesquisador. A IA é excelente em tarefas de classificação e reconhecimento de padrões (triagem, extração de dados). No entanto, as etapas que exigem interpretação de nuances e julgamento clínico e metodológico — como a avaliação do risco de viés (ex: o cegamento foi adequado?), a interpretação da heterogeneidade clínica ou a deliberação final sobre a certeza da evidência (GRADE) — permanecem fundamentalmente humanas. A IA é uma assistente incrível, mas não uma substituta do epidemiologista.


8. Exemplos e Estudos de Caso

Para solidificar os conceitos, vamos analisar dois cenários hipotéticos que ilustram a interpretação de uma metanálise.

Estudo de Caso 1: A Metanálise “Limpa” e Conclusiva

  • Pergunta (PICO): Em pacientes (P) adultos após um primeiro infarto agudo do miocárdio, o uso de (I) beta-bloqueadores comparado com (C) placebo reduz a (O) mortalidade em 1 ano? (S) Apenas ECRs.
  • Processo: Os revisores seguem as etapas da RS (protocolo PROSPERO, busca, triagem PRISMA) e incluem 5 ECRs.
  • Análise (Forest Plot): O Forest Plot29 mostra:
    • 3 estudos pequenos (RR 0.80, 0.75, 0.82).
    • 2 estudos grandes, com maior peso (RR 0.90, 0.91).
    • Todos os estudos estão do mesmo lado da “linha de não efeito” (que para RR é 1.0).
    • O Diamante (resultado combinado) mostra um Risco Relativo (RR) de 0.88, com Intervalo de Confiança de 95% de 0.80 a 0.95.
  • Avaliação de Viés e Heterogeneidade:
    • A estatística I² é 0%.33 Isso indica homogeneidade perfeita; toda a variação é devida ao acaso.
    • O Funnel Plot 36 mostra-se perfeitamente simétrico.
    • A avaliação (RoB 2.0) mostra que todos os 5 ECRs têm baixo risco de viés.22
  • Conclusão (GRADE): Como o resultado é preciso (IC 95% não cruza o 1.0), os estudos são consistentes (I²=0%), diretos, e de baixo risco de viés, a evidência é classificada como de Alta Certeza.28 A conclusão é robusta: beta-bloqueadores reduzem a mortalidade.

Estudo de Caso 2: A Análise Crítica da Metanálise “Conturbada”

  • Pergunta (PICO): Uma intervenção educacional (I) comparada ao tratamento usual (C) melhora a adesão (O) em pacientes com diabetes tipo 2 (P)?
  • Processo: A RS inclui 10 estudos de delineamentos variados.
  • Análise (Forest Plot): O Diamante mostra um efeito combinado muito grande e estatisticamente significativo.
  • Avaliação de Viés e Heterogeneidade:
    • A estatística I² é 92%.33 Isso indica heterogeneidade muito alta. O efeito combinado (o diamante) é, portanto, quase sem sentido, pois representa a média de estudos que mediram coisas muito diferentes.
    • O Funnel Plot é altamente assimétrico 36, com vários estudos pequenos mostrando efeitos muito grandes.
  • Análise Crítica (A Investigação):
  • Explorando a Heterogeneidade (Análise de Subgrupo) 30: Os revisores dividem os estudos por localização geográfica. Eles descobrem que 4 estudos pequenos na Ásia mostraram efeitos enormes, enquanto 6 estudos maiores na Europa e América do Norte mostraram efeitos pequenos ou nulos.
  • Explorando o Viés (Qualidade) 35: Ao cruzar com a avaliação de qualidade (ex: NOS ou RoB 2.0), os revisores descobrem que os 4 estudos asiáticos com efeitos enormes são também os 4 estudos com alto risco de viés (ex: sem grupo controle adequado, aferição do desfecho não cega).
  • Conclusão (GRADE): A certeza da evidência é rebaixada para Muito Baixa.28 Motivos: 1) Alto Risco de Viés (a maioria do efeito vem de estudos falhos); 2) Inconsistência (I²=92%). A conclusão da RS não deve ser “a intervenção é eficaz”, mas sim “a evidência atual é de muito baixa certeza e não permite concluir sobre a eficácia; estudos de melhor qualidade são necessários”.

9. Aplicações em Saúde Pública e Clínica

Revisões sistemáticas e metanálises são o alicerce da tomada de decisão baseada em evidências em todos os níveis do sistema de saúde.

  • Nível Clínico (Micro): As RS e MA são a principal fonte de evidência para a elaboração de Guidelines de Prática Clínica.5 Quando um médico cardiologista decide qual a terapia de primeira linha para hipertensão, ou um infectologista escolhe um esquema antibiótico, essa recomendação é (ou deveria ser) baseada em uma revisão sistemática de alta qualidade, frequentemente da Cochrane.
  • Nível de Gestão (Meso): Gestores hospitalares utilizam RS e MA, especialmente as de acurácia diagnóstica 7, para tomar decisões de custo-efetividade sobre a incorporação de novas tecnologias. (Ex: “Devemos comprar o novo equipamento de Tomografia Computadorizada ‘Teste X’ ou o ‘Teste Y’ para diagnosticar embolia pulmonar?”).
  • Nível de Política de Saúde (Macro): Governos e ministérios da saúde utilizam RS e MA como a principal ferramenta para informar políticas de saúde e alocação de recursos.5 No Brasil, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) exige a apresentação de revisões sistemáticas para avaliar a incorporação de um novo medicamento, teste ou procedimento no SUS.7

Contudo, especialmente no campo da Saúde Pública, há uma visão crítica sobre a aplicação estrita da RS focada em ECRs. Artigos de debate, como os publicados em Cadernos de Saúde Pública (Fiocruz), apontam que a ascensão da RS e da epidemiologia clínica não deve eliminar outras formas de síntese, como os ensaios teóricos em saúde pública.6

Levanta-se a crítica de que as revisões sistemáticas, por vezes, “não lidam adequadamente com o hiato entre evidências e sua tradução em políticas públicas”.6 O próprio Archibald Cochrane, pioneiro que deu nome à Colaboração, foi inicialmente chamado para aplicar métodos estatísticos visando aumentar a efetividade e reduzir o desperdício no sistema de saúde inglês.6

Isso destaca uma diferença de foco: a epidemiologia clínica foca primariamente na eficácia (A intervenção funciona em condições ideais?). A Saúde Pública está preocupada com a efetividade (Funciona no mundo real?), implementação (É viável?), custo-efetividade e equidade (Aumenta ou diminui as disparidades em saúde?).28 Uma RS de alta qualidade é o primeiro passo (a evidência da eficácia), mas não o único, na complexa formulação de políticas públicas.


10. Considerações Éticas

Como as revisões sistemáticas analisam dados secundários (estudos já publicados), elas não envolvem diretamente participantes humanos e, portanto, geralmente não requerem aprovação de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).

No entanto, a condução de RS e MA é regida por um conjunto rigoroso de considerações éticas focadas na transparência, honestidade intelectual e reprodutibilidade.15 As principais falhas éticas na síntese de evidências são:

  1. Plágio: Copiar texto ou ideias de outras revisões ou dos estudos primários sem a devida citação.
  2. Duplicação Desnecessária (Research Waste): Conduzir uma nova RS sobre um tópico onde já existe uma RS recente, robusta e de alta qualidade (como uma revisão Cochrane). Isso desperdiça recursos de pesquisa.12 A exceção é a atualização planejada de uma revisão existente.
  3. Viés de Relato (Má Conduta Científica): A falha em registrar um protocolo a priori 7 e, subsequentemente, mudar os desfechos primários da revisão após ver os resultados para “encontrar” um resultado positivo.15
  4. Viés de Publicação: Este é um problema ético em nível de autor e editor. Autores que não submetem RS com resultados “nulos” ou “negativos”, ou editores de periódicos que as rejeitam por esse motivo, contribuem para um corpo de literatura enviesado.35
  5. Interpretação Desonesta: Quando os autores da RS minimizam ou ignoram limitações graves — como o alto risco de viés dos estudos incluídos, ou a alta heterogeneidade 47 — para “vender” um resultado positivo que não é suportado pela evidência.
  6. Conflitos de Interesse (COI): A falha em declarar transparentemente o financiamento, especialmente da indústria (farmacêutica ou de dispositivos), que possa ter interesse no resultado da revisão.48

11. Conclusão

A Revisão Sistemática e a Metanálise representam a aplicação prática da medicina baseada em evidências.2 Elas transformaram a epidemiologia clínica, movendo a tomada de decisão de uma base em autoridade ou experiência anedótica para uma base na síntese rigorosa, transparente e reprodutível de todos os dados disponíveis.

Uma RS não fornece a “verdade final”, mas sim a melhor estimativa atual da evidência. O futuro da síntese de evidências é dinâmico e aponta para três grandes avanços:

  1. Revisões Sistemáticas Vivas (Living Systematic Reviews): Que não são publicadas uma única vez, mas atualizadas continuamente em plataformas online à medida que novos ECRs são publicados.
  2. Automação e IA: O uso crescente de inteligência artificial 41 para automatizar as etapas logísticas (triagem, extração), tornando as RS mais rápidas, baratas e acessíveis.
  3. Metanálise em Rede (Network Meta-Analysis – NMA): Um tipo avançado de metanálise que permite a comparação simultânea de múltiplas intervenções. Em vez de apenas comparar A vs. Placebo e B vs. Placebo, a NMA pode comparar A vs. B, A vs. C, e B vs. C, mesmo que nenhum estudo tenha comparado A vs. C diretamente.49

Para o estudante e o profissional de saúde do século 21, a habilidade mais importante não é apenas ler artigos, mas ser um consumidor crítico da literatura. Compreender a metodologia, as armadilhas e a correta interpretação de uma revisão sistemática e metanálise — sabendo identificar uma estimativa robusta (Caso 1) e uma estimativa espúria (Caso 2) — é, hoje, uma competência clínica e epidemiológica essencial.


12. Referências Bibliográficas

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